| postado em 28/06/2010 13h50 |
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| 1 - Você quer ou apenas deseja? |
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A Competência Emocional (CE) do ponto 1 no eneagrama é a persistência. É uma CE ligada à auto-exigência e tenacidade e normalmente quem tem esta CE como uma de sua tríade de Competências Emocionais (CEs) revela um comportamento disciplinado, do tipo se comecei, quero terminar, me decidi e agora vou fazer. Já quem tem esta CE em baixa tem dificuldades em manter um comportamento disciplinado e pode ceder mais facilmente a impulsos ou desejos que lhe tirem do foco. Quero começar a fazer exercícios de manhã, antes de ir ao trabalho. Na primeira manhã, na hora de acordar mais cedo para fazer exercícios, começo com um diálogo interno que diz: - Mas está tão frio hoje...só mais meia hora... E como dizem os gaúchos, “foi o boi com a corda”.
Em qualquer área de desenvolvimento, seja profissional, pessoal ou auto-desenvolvimento, não há como ascender sem olhar seriamente para a questão disciplina. Você pode chegar até certo ponto, mas chega um momento em que não há mais para onde escapar. Isso porque a disciplina é um referencial do quanto você está comprometido com seus objetivos e divide os que querem dos que apenas desejam.
No que diz respeito à liderança e gestão de pessoas a disciplina também é um divisor de águas. Afinal de contas as pessoas necessitam clareza do que o gestor espera delas, necessitam estímulo para contribuir para o processo com suas próprias Competências Emocionais, de forma que estas se manifestem como talento e necessitam orientação quando a contribuição não esta alinhada com os propósitos do gestor. Isto tudo diariamente! Caso não haja uma boa dose de Persistência o barco pode começar a “fazer água”. A clareza do que se espera de cada um começa a se transformar em uma idéia vaga, sujeita a interpretações. O estímulo começa a ser substituído por posturas do tipo, - “isso é obvio” ou “... afinal este é o trabalho dele...” negligenciando o papel de gestor de pessoas, que estimula e orienta.
A boa notícia a respeito da disciplina é que podemos desenvolver, nutrir e integrá-la em nossa vida. O desafio reside no fato de que só depende de cada um. Embora algumas situações nos exijam disciplina e para dar certo acabamos por nos colocarmos em ordem, a disciplina a que me refiro aqui é a que reflete o nível de comprometimento consigo mesmo. Para reconhecermos esta específica manifestação de disciplina, devemos nos perguntar honestamente o quanto nossas decisões, nosso comportamento e nossa atitude refletem o que queremos. Qual é a distância entre o que espero de mim mesmo e como me comporto no dia a dia e o quanto estou disposto a encurtar esta distancia.
Márcio Schultz
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| postado em 18/05/2010 16h20 |
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| 2 - Casal 96 |
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Uma das aplicações do Eneagrama que tenho mais me dedicado é a de mostrar 9 diferentes perspectivas de uma mesma situação. O objetivo é ampliar a consciência trazendo outros pontos de vistas e mostrando que eles são tão reais quanto o que a pessoa defende. Quando nos apegamos demasiadamente a uma das 9 perspectivas desenvolvemos um vínculo emocional com ela que chamo de vício emocional. Quando o vínculo com uma perspectiva não é apegado e sim uma preferência desenvolvemos uma habilidade em perceber a realidade por tal perspectiva e a chamo de Competência Emocional. Por exemplo, a perspectiva do ponto 1 no Eneagrama mostra um foco na tarefa e no que deve ser feito, ou seja, uma perspectiva prática da realidade. Quando tenho habilidade de trazer a consciência esta perspectiva prática desenvolvo a Competência Emocional da Persistência. Quando me apego a esta perspectiva prática acabo perdendo outras perspectivas e acabo exigindo da realidade respostas práticas e quando não consigo manifesto o Vício Emocional da Raiva. Em resumo o mapa mostra 9 perspectivas e duas maneiras ” básicas”, atém porque existem outras, de se vincular. Apego que é igual a Vício Emocional e preferência que é igual a Competência Emocional.
Quando trabalho com casais isto dá pano pra manga, pois ajuda a compreender a perspectiva que posso estar apegado e qual é a perspectiva da outra pessoa. Estas diferenças podem se tanto complementares como base para conflito.
Nesta coluna trato de um casal bastante típico, o casal 96. Ele tem sua consciência apegada ao ponto 9 e ela ao ponto 6. O ponto 9 fala de uma perspectiva anti-conflito, que foca na mediação, procurando o ponto comum entre as partes. A habilidade em olhar por este ponto de vista permite desenvolver a Competência Emocional da Tolerância. Quando há um apego a este ponto de vista o vício emocional desenvolvido é a Indolência, que é um estado de indiferença, do tipo tanto faz. O ponto 6 fala de uma perspectiva legalista, que foca em valores comuns e uma necessidade de orientação clara. A habilidade em olhar por este ponto de vista permite desenvolver a Competência Emocional da Tolerância. Quando há um apego a este ponto de vista o vício emocional desenvolvido é o Medo.
A principio este casal parece que foi feito um para o outro e isso pode até vir a acontecer, mas o contrário também pode ser verdadeiro. Eles tem muito em comum, o 9 quer harmonia na relação e sua tolerância é extremamente útil nas crises paranóicas do 6. Ela por sua vez, quer compartilhar valores e seu senso de ordem comum e isso ajuda dramaticamente nas decisões ingênuas e inconseqüentes do 9. O problema começa quando os dois estão simultaneamente apegados aos seus pontos de vista e seqüestrados pelos Vícios Emocionais. Ela que antes admirava a tolerância dele e a capacidade de resolver as coisas com o mínimo de estresse, agora o vê como lento e irresponsável, afinal diz ela, ele não está preocupado como eu estou. Ele que antes a sentia como um apoio fundamental à ordem na família, agora a chama de ansiosa e controladora.
O pior é que os dois têm razão. Mas a perdem por se apegarem demasiadamente a seus próprios pontos de vista.
Mas o triunfo da relação é mais simples do que imaginam, basta lembrar-se do que admiram um no outro para desapegarem de suas posições rígidas. É simples, mas não necessariamente fácil, pois não depende do outro e sim de si mesmo.
Márcio Schultz |
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| postado em 23/04/2010 19h03 |
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| 3 - A Importância da Disciplina |
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Como a maioria das pessoas que usam o e-mail como ferramenta de trabalho, eu também recebo uma centena deles diariamente. Creio que uns 85% deles são de propaganda, de toda ordem de produtos e serviços.
Teve um período que a onda era e-mail de Viagra, graças a Deus e a um amigo que trabalha com informática programei para não receber e-mails com algumas palavras chaves e assim chega de Viagra. Mas de vez em quando recebo no meio desta miscelânea algo interessante. No início desta semana recebi um e-mail sobre DVDs de palestras e cursos. Fiquei curioso e cliquei para assistir uma espécie de trailer de um destes DVDs. O tema que a palestrante discorreu naqueles breves minutos foi sobre a importância da disciplina. Começou falando que o sucesso de muitas organizações esta baseado na disciplina e deu o exemplo da hierarquia militar. Disse que um soldado é mandado por um sargento, que por sua vez obedece a um tenente, que é mandado por um capitão, que por sua vez obedece a um coronel e assim por diante. Foi então que ela fez uma pergunta aparentemente simples, mas que pode ser mais profunda do que gostaríamos de admitir:
- Quem você manda e a quem você obedece?
Alguns segundos de silêncio, que na prática parecem bem mais e ela volta com a seguinte afirmação: É você quem manda e é você quem obedece! Fiquei com esta frase a semana inteira. É você quem manda e você quem obedece. Quantas vezes deixamos de fazer aquilo que gostaríamos ou nos predispusemos? Quantas vezes não obedecemos a nós mesmos? Desde coisas simples e que só dependem de nós mesmos, como fazer exercícios, ler mais e ver menos TV, até decisões que procrastinamos e atitudes que depõem contra nossos reais anseios. Isso faz me lembrar a enorme quantidade de pessoas que preferem ser parte de uma organização formal onde lhe cobram e dão direção do que ser profissional liberal que necessita se impor um ritmo de trabalho, até porque não tem quem lhe cobre a não ser ele mesmo. Até ouvi sobre um indivíduo que na dificuldade de impor a si um ritmo de trabalho como o que tinha quando era funcionário, começou a olhar no espelho e dava ordens a si mesmo. Disse que no começo não funcionou muito bem, mas quando começou a imitar a voz e o jeito de seu antigo chefe as coisas mudaram.
No Eneagrama a Disciplina é uma qualidade que esta no Ponto 1. O mais interessante é que ela vem de um movimento do Ponto 9, que fala também de amor próprio e vai para o Ponto 2 que fala de vontade. O equilíbrio entre estes pontos resulta em um movimento de ação focada.
Pense um pouco sobre isso. Márcio Schultz |
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| postado em 16/04/2010 18h06 |
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| 4 - 2012 e o fim dos tempos |
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Muita especulação tem sido feita sobre este tema e não serei eu mais um a fazer isso. Mas este assunto “cai como uma luva” para repensarmos algumas coisas. Primeiro que para algumas pessoas o fim dos tempos já está acontecendo. Veja o caso do Haiti, da região do Chile e da China afetadas por terremotos, do Rio de Janeiro e os deslizamentos, para todas estas pessoas o fim dos tempos já está ai.
Além disso, ouço muitas pessoas se indagando a respeito deste assunto polêmico, “será que vale a pena tanto esforço... afinal vai tudo acabar!” Como se não fosse acabar uma hora ou outra para cada um de nós. Claro, afinal esta não é a única certeza, como dizem alguns, a da morte.
A verdade é que nossa cultura não nos prepara para isso e sempre que possível evitamos pensar nisso. Mas não se preocupe que este também não é o assunto desta coluna. O ponto que quero enfocar trata da perspectiva equivocada de colocar a felicidade nas realizações futuras e perder contato com o caminho que leva até lá.
Nossa cultura tem reafirmado a valorização das conquistas, o que não há nada de mal, mas tem esquecido de regra de ouro para a auto-realização: “enjoy the journey”. Peço desculpas pela expressão em inglês, mas é que em português me dá a sensação que não é a mesma coisa, de qualquer forma a tradução é aproveite a jornada ou desfrute do caminho. O fato de esquecermos esta regra de ouro faz toda a diferença em nosso dia-a-dia.
Quando estamos exageradamente focados no resultado, e notem que grifei a palavra exageradamente, perdemos a capacidade de enxergar o caminho como oportunidade. Uma tarefa que não é realizada, por conta de um erro de alguém virá um incomodo problema a ser resolvido e futuramente evitado. Perde-se a capacidade de enxergar as oportunidades advindas deste ocorrido, sejam elas quais forem, de treinamento ou de melhoria no processo.
Muitas das coisas que me ajudaram a melhorar o desenvolvimento de meu trabalho nasceram de circunstâncias que poderiam ser classificadas de problemas, mas que preferi reconhecer como bênçãos que o caminho me ofereceu para melhoria ou desafios para que eu manifestasse meu potencial. “Se não fosse a reclamação daquele cliente eu nunca teria mudado aquele procedimento.” Pode até parecer filosófico demais, mas se tudo fosse perfeito e funcionasse exatamente como o planejado não haveria muito espaço para superação. Também seria bem provável que os cargos de gestão não fossem tão valorizados, afinal tudo funciona.
Na prática o desfrutar do caminho significa para mim o estar presente e curtir o processo com seus desafios. Os resultados são necessários, é claro, mas isso não quer dizer que o caminho tenha que ser um fardo. Transformar problemas em oportunidades é uma mudança de referencial interno e diz respeito à maneira com que você se vincula ao dia-a-dia. Olhe para trás e lembre-se das situações no passado que você encarou como um problema. Tente lembrar algumas que lhe fazem rir do quanto você se preocupou, se irritou ou deu demais importância. Agora olhe para seu dia com esta sensação de que é possível encarar o dia de outra maneira. |
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| postado em 14/04/2010 12h09 |
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| 5 - Você está satisfeito com o que faz? (Parte 2) |
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Na coluna da semana passada falei um pouco sobre o tema de uma pesquisa de satisfação que mostrava 80% de insatisfeitos com o trabalho. Nesta semana quero retomar o tema, mas com outro foco, o papel do gestor diante deste percentual.
Em linhas gerais minha perspectiva sobre o papel central da gestão de pessoas é a de criar vínculos entre pessoas e funções de forma que estes vínculos gerem comprometimento. Também vejo que grande parte das pessoas não tem habilidades em criar estes vínculos por si próprios e com isso voltamos aos 80% de insatisfeitos com a profissão.
Quero dizer com isso que no caminho de buscar resultados com eficiência e melhoria de desempenho temos que trilhar soluções que gerem satisfação durante o processo. É ai que entra o papel do líder em desempenhar a gestão de pessoas. O calcanhar de Aquiles de muitos gestores é que se concentram demasiadamente na gestão de processos e esquecem das pessoas que vão desenvolver estes processos. A conseqüência é a resistência e dificuldades em implantação de processos, ou ainda o baixo nível de engajamento aos processos.
Creio que a dificuldade em se pensar soluções ou processo que incluam a satisfação das pessoas reside no fato de não haver uma formula geral para a satisfação. Embora tenhamos os degraus da pirâmide de Maslow que revelem necessidades comuns, quando nos deparamos com o degrau da auto-realização somos obrigados a nos questionar sobre o que nos faz sentir realizados. A resposta não é comum a todos e detectar o que realiza cada membro de minha equipe pode se tornar uma tarefa complicada.
Nestes 15 anos trabalhando com o eneagrama tenho comprovado que uma maneira de reconhecer o que pode gerar auto-realização é o reconhecimento das 3 principais competências emocionais. Isso porque estamos falando de auto-realização, ou seja algo de mim participa na realização e não é apenas meu tempo e dedicação.
Existem muitas pessoas que realizam muito bem suas tarefas, mas não necessariamente se auto-realizam na execução das mesmas. O reconhecer das competências emocionais aponta para os meios favoráveis para a auto-realização.
Tomemos o exemplo de uma pessoa que tem Prudência como sua principal competência emocional e o Ímpeto e a Persistência como as 2 auxiliares. Este perfil necessita se sentir parte de algo maior, contexto que estimula a Prudência. Também necessita de certo nível de autonomia para estimular seu Ímpeto e um bom desafio estimulará também sua Persistência. Encontrando na maneira com que este indivíduo desenvolve a função um caminho para a satisfação deste contexto, temos grandes chances de proporcionar um ambiente de auto-realização.
A mudança ocorre na ótica com que percebemos a realidade. Isso eu aprendi nas aulas de tiro ao alvo. Minha família toda sempre se envolveu com várias modalidades de tiro esportivo e logo cedo me encontrei em competições nacionais no esporte. Uma lição simples das modalidades de tiro precisão é que não devemos focar no alvo. Ele tem que ser apenas um ponto embaçado a frente. O foco deve ser na alça e massa, peças que estão na base, em forma de V e ponta do equipamento, em forma de I. Quando as duas estão alinhadas a chance de um tiro preciso é muito maior. Trazendo esta regra para a gestão de pessoas significa ter o alvo a frente, mas focar nas pessoas. |
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| postado em 01/04/2010 20h11 |
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| 6 - Você está satisfeito com o que faz? |
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Uma pesquisa da Gallup que diz que mais de 80% da força de trabalho brasileira se encontra desengajada já tinha chegado as minhas mãos a mais de um ano. Mas este mês ouvi em uma palestra uma variável desta pesquisa que afirma que mais de 80% das pessoas estão insatisfeitas em suas profissões. Segundo o palestrante esta pesquisa teria sido feito em vários países e revelava que no Brasil os percentuais de insatisfação eram superiores a 80%. Por incrível que pareça esta informação não me chocou, mas apenas confirmou o que percebo na maioria das pessoas nas organizações. Como acho o tema muito importante dividi o assunto em duas colunas. Esta que trata de meu ponto de vista de uma forma geral e outra que fala do papel do gestor diante desta situação.
Acredito que um fator importante na insatisfação das pessoas no ambiente profissional se dá por conseqüência de uma cultura que prega que a felicidade se alcança. Colocando alvos que nos levarão a felicidade. A maioria deles é material, do tipo, quando eu comprar tal carro, quando estiver morando em tal casa. Mas outros são menos comerciais e apelam para condições emocionais idealizadas, do tipo quando eu casar, quando tiver meu primeiro filho. Não há nada de mal em sonhar, não é isso. Acredito que nossos sonhos são indispensáveis. A questão aqui é que não podemos nos satisfazer com o futuro. Podemos no motivar com o futuro, mas é no presente que reside a possibilidade de satisfação. Na prática quero dizer que fomos criados para buscar o emprego que nos satisfizesse e com isso perdemos parte da habilidade de buscar satisfação com que fazemos.
Outro dia comecei a conversar com uma pessoa que estava comigo na sala de espera do aeroporto. Conversa vai, conversa vem caímos no inevitável. Com que você trabalha? Ele era fotógrafo de uma grande revista internacional e viajava por todos os lugares interessantes. Quando disse que ele tinha o emprego dos sonhos de muita gente ele deu de ombros e comentou que também já tinha sido seu sonho, mas as pessoas não sabem como é ficar tanto tempo longe da família e me mostrou a foto de sua filha. Falou-me das dificuldades que passa na alfândega de alguns países, por conta de todo equipamento fotográfico, ou seja, começou a me mostrar que ele fazia parte dos 80%.
Mudando de cenário, estava em um restaurante de um hotel e comecei a conversar com o garçom, um senhor de mais de 60 anos e que mostrava uma disposição para estar fazendo seu trabalho que surpreendia. Perguntei de onde vinha tanta disposição e ele me respondeu que gostava do que fazia, até já tinha feito outras coisas, mas que o que ele gostava mesmo e de lidar com pessoas. Disse que todos os lugares em que já trabalhou tinham seus problemas e suas dificuldades e que quando começou a dar atenção ao que ele fazia e se dedicar a curtir cada cliente, cada conversa, tudo começou a ter um gosto melhor.
Quando ouvimos que 80% não estão satisfeitos temos a tendência de imaginar que apenas 20% conseguiram empregos satisfatórios. Mas isso é uma ilusão! Os 20% fazem praticamente a mesma coisa que os outros 80%. A diferença é que estão usando suas competências para curtir o processo e não apenas o resultado. Estão no presente encontrando maneiras de gostar do que fazem e não no futuro procurando algo que gostem.
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| postado em 19/03/2010 17h23 |
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| 7 - Tolerância ou Indolência |
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Tenho percebido que quando falo da Competência Emocional da Tolerância muitas pessoas a confundem com Indolência. A Tolerância é a Competência Emocional que nos permite reconhecer e valorizar as diferenças entre pessoas. Diferença de ritmo, de valores, de prioridades, das condições que a pessoa esta vivendo neste momento. Ela também esta ligada a uma visão harmônica destas diferenças. Permite que eu perceba as reações dos outros sem julgar, pois procura uma perspectiva mais ampla da situação. É uma Competência Emocional necessária para o trabalho em equipe. Quem carece de Tolerância acaba procurando pessoas que tem o mesmo ritmo que o seu e desvaloriza que não pensa da mesma forma. Mas quando a solução não esta dentro da minha perspectiva? Quando ser eficiente é ser diferente do ritmo que normalmente tenho? Estas são algumas situações onde a valorização do diferente pode ser muito útil. Esta semana estava falando sobre a Tolerância e uma aluna, gerente de uma cooperativa, contou o quanto tinha dificuldades com pessoas que não tinham o ritmo dela. Disse que só de olhar para a paciência de uma colega em atender um casal de idosos, começava a ficar nervosa. Mas que ultimamente tinha mudado sua maneira de olhar para esta colega. Isso porque teve uma experiência transformadora com sua filha de 16 anos. Fazia algum tempo que o relacionamento entre elas não estava lá aquelas coisas. O conflito tinha se intensificado quando a filha quis sair com as amigas e disse que voltaria mais tarde do que o habitual. Sua reação foi imediata, dizendo que não e que ela tinha que obedecer sua mãe. Foi quando a filha esbravejou que ela já era dona de seu nariz. O clima ia esquentando quando entra em cena o pai, questionando sobre o porquê da gritaria. “Vocês não podem fazer isso comigo eu sou dona da minha vida!” – afirma a filha. Acontece um momento de silêncio e o pai olha nos olhos da filha de uma forma fixa, mas acolhedora. Minha filha, diz ele, então o que você está me dizendo é que se sente desrespeitada no seu direito de liberdade? É exatamente isso, responde a filha. Neste momento a mãe dá uns passos pra trás e deixa a sala com os dois conversando. Dez minutos depois ela houve a filha saindo pela porta da frente. Olha nervosa para o marido que diz calma, ela concordou em voltar no horário habitual. Minha aluna conclui sua história dizendo que se não fosse o jeito dele ela teria perdido a cabeça com a filha naquela noite. Que a tolerância com a fase que a filha esta passando é necessário para uma solução mais eficiente. Mas quando a Tolerância vira Indolência? Quando eu deixo de buscar soluções pacíficas e me submeto de forma passiva. Quando deixo me levar por velhos hábitos e comportamentos sem acreditar que posso buscar mudanças na forma de viver a realidade. |
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| postado em 18/03/2010 13h21 |
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| 8 - A caixa de ferramentas... |
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Estes dias, em um grupo de gestão de pessoas, tive uma situação que revela algo bastante comum à maioria dos gestores. No momento que a cena começou eu estava falando do desafio que a gestão de pessoas tem em procurar o desenvolvimento das funções através das competências emocionais que existem nos indivíduos que as exercem. Foi quando uma participante comentou sua indignação com as pessoas que são, segundo ela, lentas no desenvolvimento da função. Quando ela terminou de expressar sua indignação outro participante emendou afirmando categoricamente que a necessidade de velocidade não é uma questão pessoal é uma exigência do mercado. Foi quando a coisa pegou fogo e já estavam crucificando aqueles que não tinham o ritmo desejado. Esta é uma confusão muito comum. O gestor tende a impor seu ritmo à sua equipe e aqueles que não entram na onda literalmente “dançam”. Por um lado não há nada mal em se querer um modelo de execução de funções. Penso que isso é necessário e se trata da identidade da empresa, ou seja, como é o nosso jeito de fazer as coisas, quais são os valores que trazemos ao dia-a-dia. Sem este modelo claro a organização fica sem identidade e sujeita a uma perda de energia por falta de foco. Por outro lado desejamos uma equipe engajada, comprometida e para tal se faz necessário criar laços entre o indivíduo e a função. Aqui vem a confusão, porque muitos gestores querem fazer laços entre o modelo desejado e a função. Querem que o indivíduo seja o modelo e esteja engajado e comprometido. A metáfora que venho utilizando para este dilema é a de criar laços entre a função/modelo e o indivíduo buscando meios na própria “caixa de ferramentas” que o indivíduo tem. Quero dizer com isso que é importante incluir os potenciais existentes no indivíduo (Competências Emocionais) na estratégia de melhoria de desempenho. Procure soluções a partir do paradigma do outro. O sucesso deste processo não reside apenas na habilidade do gestor em desenvolver pessoas, mas na capacidade de se desapegar de sua própria caixa de ferramentas. |
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| postado em 12/02/2010 18h45 |
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| 9 - O que está no centro de sua vida? |
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Tenho perguntado as pessoas o que compreendem por sucesso ou o que é uma pessoa de sucesso. As respostas têm me surpreendido. A grande maioria dos questionados compreende sucesso relacionando-o com a vida profissional. Uma carreira de sucesso, ter alcançado um cargo elevado dentro de uma organização ou ainda alcançar riqueza financeira através do trabalho. Em segundo lugar aparecem as respostas relacionadas com status, prestígio e fama. Poucos foram os casos onde a perspectiva equilibrava vários âmbitos da vida, como uma família unida, ter saúde, trabalhar em algo que lhe preencha ou alcançar um estado de plenitude espiritual.
Crédito: Divulgação
Comecei a observar que entre as respostas haviam algumas que pertenciam à pessoas que se ocupavam mais com o tema e outras nem tanto, ou seja, não se ocupavam muito com o sucesso. Mas entre aqueles que levavam o tema um pouco mais a sério, aqueles que quando questionados sobre a importância do tema logo se posicionavam com certo fervor, notei que havia um traço bastante comum entre eles. Suas respostas sobre o que era sucesso refletiam o que traziam para o centro de suas vidas. Por exemplo, aqueles que relacionavam o sucesso com a carreira e profissão traziam o trabalho para o centro de suas vidas e sendo assim percebiam grande parte da realidade através da lente do trabalho. Tudo aquilo que não tem relação com o trabalho é menos importante. Suas desculpas também refletem este centro, “você não vê que eu estava trabalhando!”, “porque você acha que eu trabalho tanto, é por você!”, e assim vai. Os que relacionavam o sucesso com a família a colocavam no centro de suas vidas e percebiam grande parte da realidade através desta outra lente. A compra do carro, o local das férias, o almoço do fim de semana, os amigos e também a profissão se acomodavam em função dos anseios familiares. Até ai tudo bem! Mas se colocamos no centro de nossas vidas âmbitos que deveriam ser vivenciados pelo nosso centro e não necessariamente substituí-lo, não caímos na enorme possibilidade de encontrarmos um vazio se estes âmbitos não forem satisfeitos? Se uma separação conjugal destruir o modelo idealizado de família, ou os irmãos mais brigam do que se entendem e acabam se dando muito melhor quando estão longe uns dos outros. Se a profissão resultar mais em sobrevivência do que auto-realização. Se a vida não andar pelas vias que se esperava que ela andasse. Não seriam nossos valores e princípios que deveriam ocupar o centro de nossas vidas? Podendo vivenciar plenamente qualquer dos diferentes âmbitos, sem necessariamente ser seqüestrado por um deles? O que acontece quando o sucesso é experenciado pelo viver segundo estes valores e princípios e não no resultado em um específico âmbito. Isso permite que se invista mais ou menos tempo e energia em determinados âmbitos em momentos da vida. Até porque isso se faz necessário. Mas é muito diferente da perspectiva onde a realidade é vivenciada sob uma lente profissional, onde o que não ajuda atrapalha.
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| postado em 04/02/2010 14h51 |
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| 10 - Matar um leão por dia! |
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De todas as 9 Competências Emocionais tem uma que me chama a atenção de forma especial. Ela é o Ímpeto, que se traduz no gosto por desafios e por superação. Claro que ela é bastante necessária para quem esta no cargo de liderança, afinal liderar pessoas é um desafio constante.
Liderar exige um estado de presença para reconhecer o que de fato é necessário no momento, para que os objetivos sejam alcançados através das pessoas. Isso não é tarefa fácil, requer desapego e autocontrole. Muitos mais são aqueles que desistem diante do desafio de se dominar, saem com evasivas do tipo “esse é o meu jeito, não sei ser de outra forma”, ou ainda “eu até tentei, mas é muito difícil”. Estes desistentes que carecem de ímpeto preferem acomodar-se num jeito que não reflete o que de fato querem, mas sabe como é, com o tempo acostuma. Não cabe aqui julgamento sobre eles, pois os que carecem de ímpeto desistem de si mesmo de forma inconsciente, ou seja, não tem a mínima idéia do que estão fazendo consigo mesmos e o fazem sustentados pela falta de perspectiva que a falta de Ímpeto gera.
Se de um lado temos aqueles que carecem de ímpeto de outro temos aqueles que são governados por ele. O excesso de Ímpeto transforma-o em Luxúria e a preciosa energia desta Competência Emocional é desviada para fins mecânicos, dirigidos pelo ego. Temos então aqueles que são viciados em desafios externos, ocupando-se tanto com a luta que se esquecem de si, e com isso perdem a genuína liderança, substituindo-a pelo mando e autoritarismo. São presas fáceis, pois quando desafiados tendem a morder a isca. É só dizer “eu duvido...” que estes guerreiros ingênuos vão à luta. Na falta de desafios eles criam uma boa briga, para descarregar novamente. Pode ser por qualquer coisa, tudo vida discussão e questão de vida ou morte. Com isso tornam-se pessoas cansativas e os outros é que desistem deles.
Mas temos um terceiro grupo de pessoas que canalizam seu Ímpeto de forma realizadora, pois dirigem esta Competência Emocional para a auto-superação. Estas pessoas sentem-se literalmente desafiados quando não conseguem agir como gostariam. Seus olhos se apertam um pouco, para fixar o foco, estratégia instintiva do predador diante da caça, e pensam consigo mesmos “desta vez não foi, mas da próxima não passa!” A diferença deles é que assumiram o desafio de dominarem a si mesmos e encaram a liderança como a arte de estimular os outros a se superarem na realização de um objetivo comum. Isso os desloca da posição apegada à luta para uma posição estratégia. O embate se torna um meio e não mais um fim. Manifestam uma liderança genuína e são atraentes. Simplesmente porque compreenderam que o maior desafio é o de dominar a si mesmo. |
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