|
Por Suleiman Al-Khalidi
ANCARA, 18 Jul (Reuters) - Desertores do Exército sírio e comandantes rebeldes baseados na Turquia disseram nesta quarta-feira que a bomba que matou militares do primeiro escalão em Damasco poderia acelerar o fim do regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, prevendo mais deserções e divisões internas.
O brigadeiro Fayez Amr, membro sênior do grupo de desertores, disse que o ataque foi um ponto decisivo na revolta de 16 meses contra o regime de Assad.
"O regime pode agora recorrer a armas mais letais em retaliação, mas o maior perdedor será finalmente o regime. A força do regime já não importa quando se enfrenta a vontade de um povo contra os soldados que perderam a vontade de lutar e quando um soldado sabe que está lutando contra seu próprio povo. A vitória está mais perto do que nunca agora", Amr disse à Reuters.
O ministro da Defesa sírio, o cunhado de Assad e um general de alta patente foram mortos no ataque, o maior golpe ao alto comando de Assad. O ataque a bomba aconteceu durante uma reunião de crise do governo, enquanto combates eram travados nos arredores do palácio presidencial.
Ahmad Zaidan, porta-voz de um grupo opositor, disse que a explosão foi um golpe à moral do Exército, de onde a oposição estima que 50.000 de 280.000 militares desertaram.
"É o início da quebra da cadeia, o regime perdeu o controle agora e aqueles em torno de Bashar al-Assad com quem ele contava sumiram. Os fundamentos do regime foram abalados. Sobrou apenas Bashar agora", disse Zaidan.
Abdullah al-Shami, um comandante rebelde, que liderou os ataques rebeldes em Aleppo, disse que "é uma mudança qualitativa que continuará a desmoralizar qualquer um que apoie o regime."
"Espero um colapso rápido do regime ... e isso significa que precisaremos de intervenção externa com o regime começando a se desmoronar muito mais rápido do que o previsto", disse ele.
No entanto, um importante oficial da Frente para os Revolucionários Sírios, um grupo que coordena as principais brigadas rebeldes, disse que a fraqueza organizacional entre os grupos armados opositores poderia fazer com que Assad ganhasse ainda mais tempo.
|