Nesta quinta-feira, 9, é comemorado o Dia do Veterinário. Em entrevista ao RedeTVi, o médico Carlos Augusto Donini, do Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo, falou sobre o que caracteriza um relaciomento saudável com os tradicionais pets, situações em que os animais são abandonados e a recente declaração do Ministério da Saúde sobre a morte de cães e gatos após serem vacinados durante a Campanha Antirrábica 2010. ˜Nossa principal preocupação é que a credibilidade e importância em relação à vacinação antirrábica não sejam comprometidas, uma vez que representa a medida mais eficaz de controle de uma doença fatal, digo, que mata 100% dos acometidos˜, alertou Donini. RedeTVi: Qual a importância de se comemorar o Dia do Veterinário e não deixá-lo passar em branco? Carlos Donini: O médico veterinário responde pela integração plena e saudável entre a vida animal, a vida humana e o meio ambiente onde estas relações transcorrem, sendo portanto um profissional responsável pela promoção e preservação da vida. RedeTVi: Quais são as queixas mais comuns que os donos dos animais apresentam ao senhor? Carlos Donini: As alterações de comportamento que traduzem algum transtorno orgânico ou funcional, no caso, as doenças determinadas por desvios do manejo adequado. Nem sempre aquilo que é bom e agradável aos seres humanos, também o é para os animais. Conhecê-los e respeitá-los como seres diferentes e especiais é a maior contribuição que o médico veterinário presta à população. RedeTVi: Após adquirir um cachorro, muitos proprietários abandonam o pet depois do entusiasmo inicial. Como mudar essa realidade? Carlos Donini: O abandono deliberado não é comum quanto se apregoa. A principal causa do abandono é a negligência e a irresponsabilidade de indivíduos que não assumem os cuidados e responsabilidades mínimas necessárias à posse de um animal. Dificuldades financeiras e desavenças familiares vêm em segundo lugar. Maus tratos intensionais evidentes ou crueldades são menos frequentes, graças!

RedeTVi: Quando a interação entre o dono e o animal deixa de ser saudável? Carlos Donini: Quando a ignorância ou desinformação determinam o desrespeito às relações dessa interação. Cada um dos "indivíduos" no caso, tem limites a serem respeitados sob os elementos da sobrevivência saudável, alimentação, higiene, conforto e até o carinho devem respeitar os limites de cada um, em benefício da melhor relação possível. Os animais, de qualquer espécie, não devem ser beijados frequentemente, pela possibilidade de transferências de germes que são comuns a uma espécie e não aos humanos, principalmente crianças e idosos, que são mais frágeis. Cada um deve dormir em sua cama, pois a qualidade do sono também é higiene. Por isso, importa ouvir o médico veterinário que é competente para orientar e promover esta relação na mais segura e saudável possível. RedeTVi: Com a declaração do Ministério da Saúde de que pode haver relação entre a morte de cães e gatos com a vacina usada em 2010, o senhor acredita que a campanha possa não refletir o resultado esperado? Carlos Donini: Nossa principal preocupação é que a credibilidade e importância com relação à vacinação antirrábica não seja comprometida, uma vez que representa a medida mais eficaz de controle de uma doença fatal, digo, que mata 100% dos acometidos. Infelizmente, no último dia 2 de setembro, tivemos a ocorrência no Ceará de um caso confirmado de raiva humana em um jovem de 26 anos, vítima de sua própria cadela há tres meses, que não havia sido vacinada contra raiva. É muito importante que todas as dúvidas sobre a vacinação sejam esclarecidas, daí a suspensão parcial do procedimento. Contudo, é muito mais importante que os animais sejam vacinados contra raiva anualmente, e em qualquer caso de agressão por mordida por qualquer animal, a vítima seja imediatamente encaminhada ao serviço médico local, onde médicos e médicos veterinários atuarão para evitar o pior, o óbito da vítima e a transmissão da raiva entre outras vítimas. No mundo, ainda hoje, morrem mais de dez mil pessoas de raiva por ano. Todas estas mortes são totalmente evitáveis. É lamentável. Não deixe de vacinar seu animal, a partir dos três meses de idade e anualmente. Sempre que houver alguma dúvida, procure um médico veterinário. Ele sempre estará à disposição para ajudá-lo a viver mais e melhor.
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